Roman Polanski: A Film Memoir


Comemorando os 83 anos de Roman, o Observatório compartilha um tocante relato da vida do cineasta pelo próprio Polanski, em entrevista para Andrew Braunsberg.

Veja também uma rápida biografia de Polanski

Roman_Polanski_2011Paris 18 de agosto de 1933, nasce Raymond Roman Thierry Liebling, filho de emigrantes judeus polacos. Seu pai, Ryszard Polański foi um pintor pouco notável, em 1932, mudou de apelido passando a chamar-se Ryszard Liebling, razão pela qual o registo de nascimento de Roman ter ficado Liebling em vez de Polański. Contudo, no dia 1 de Junho de 1936, de regresso a Cracóvia (Polónia), recuperou o seu apelido original polaco, passando a chamar-se Rajmund Roman Thierry Polański, respondendo por Romek, diminutivo de Roman. Sua mãe, com o nome de solteira Bula Katz, de origem russa, foi educada na religião católica, apesar de seu pai (avô materno de Polański) ser judeu.

Bula Katz estava divorciada quando se casou com Ryszard Liebling em 1932, tiveram apenas este filho. O casal instalou-se no número 5 da Rue Saint-Hubert, em Paris, onde Polański viveu até aos três anos de idade. Os pais de Polański não praticavam a religião judaica nem a católica, pelo que Polański não recebeu educação religiosa em Paris, nem mais tarde em Cracóvia.

Devido à sua ascendência judaica, experienciou ele próprio os malefícios da Segunda Guerra Mundial, pouco antes do início do conflito, mudou-se com os seus pais de Paris para Cracóvia, acreditando que aí se encontrariam mais seguros, o facto de se terem instalado na Polónia, ocasionou, infelizmente, o primeiro dos muitos infortúnios da sua vida. Durante a guerra perdeu a sua mãe, católica, mas “classificada racialmente” como judia, por parte do pai, no campo de concentração de Auschwitz, juntamente com outros familiares. Seu pai esteve preso durante dois anos, no complexo de campos de concentração deMauthausen-Gusen na Áustria, sendo um dos poucos polacos sobreviventes ao Holocausto.

À medida que a guerra avançava a Polónia ficava cada vez mais devastada, nestas condições, árduas, Polański, sobreviveu ao gueto de Cracóvia e, depois de viver como um mendigo na rua, conseguiu escapar aos nazis, vagueando pelos campos da Polónia, escondendo-se em celeiros e nas florestas, alimentando-se do que encontrava ou roubava, fingindo também ser um garoto católico a visitar os seus parentes, primeiro na família Wilk, em Cracóvia, e em seguida, nos Putek e na família Buchala, na aldeia de Wysoka, de julho de 1943 até a libertação pelo exército soviético em janeiro de 1945, conforme relatado nas suas memórias. Embora tenha conseguido sobreviver, foi muito maltratado, sofrendo um espancamento quase fatal, que lhe provocou um traumatismo craniano grave.[2]

Carreira

No fim da guerra, em 1945, reuniu-se com seu pai, que o mandou para uma escola técnica, mas o jovem Polański, já tinha abraçado outra carreira, começou a interessar-se pelo mundo do cinema, tendo-se iniciado como ator teatral. Mas tarde fez os estudos na Escola de Cinema de Łódź.[2] A sua primeira curta-metragem, Rower (A bicicleta, 1955) foi realizada aos 21 anos de idade, atuando Polański também como ator no papel principal.[3]

Durante as filmagens de Gdy spadają anioły (1959) (Quando os Anjos Caem) o jovem Polański, então com 26 anos, começou um romance com a actriz principal Barbara Kwiatkowska–Lass, de 19 anos, com quem se casou no mesmo ano, tendo-se divorciado em 1962.

Polański fez a sua primeira longa-metragem, Nóż w wodzie (Faca na água) em 1962, sendo um dos primeiros filmes polacos, não associados com o tema da guerra, conseguindo em 1963, a nomeação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de ser um grande cineasta na Polónia, Polański, decidiu deixar o país e partir para França, enquanto vagabundeava por Paris, fez amizade com o jovem roteirista Gérard Brach acabando este, por se tornar o seu primordial colaborador nos trabalhos cinematográficos seguintes. Assim, a realização dos filmes Repulsion (1965) e Cul-de-Sac (1966) feitos na Inglaterra, foram co-escritos por Brach, ganhando respetivamente O Urso de Prata e, em seguida o Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim.

Em 1968, Polański foi para Hollywood, onde fez o thriller psicológico, Rosemary’s Baby. No entanto, após o brutal assassinato de sua esposa, Sharon Tate, pelo gangue Manson, em 1969, decide regressar à Europa. Depois de fazer vários filmes independentes, Polański voltou a Hollywood e em 1974, faz o lançamento do filme Chinatown para a Paramount Pictures com Robert Evans como produtor. Parecia o início de uma promissora e longa carreira em Hollywood, mas depois de sua condenação pelo estupro de uma adolescente de 13 anos, Polański fugiu dos Estados Unidos para evitar a prisão.[2]

Depois de Tess (1979), que foi premiado com o Globo de Ouro e com dois prémios César, os seus trabalhos entre 1980 e 1990 tornaram-se intermitentes e raramente possuíam o vulto de seus filmes anteriores. Apesar disso, e antes de voltar à plena forma, conseguido com o filme The Pianist (2002), onde granjeou os prémios mais importantes, ainda fez alguns trabalhos interessantes com ator, como por exemplo, no filme Pure Formality (1994), onde contracena com Gérard Depardieu.[4]

É casado desde 1989, com a atriz e modelo Emmanuelle Seigner, da qual tem dois filhos, a atriz participou em vários trabalhos dirigidos por Polański, nomeadamente, Frantic(1988), Bitter Moon (1992), The Ninth Gate (1999) e La Vénus à la fourrure (2013).[5]

Assassinato de sua esposa Sharon Tate

Sua mulher Sharon Tate (que estava grávida de oito meses do primeiro filho do casal) foi assassinada brutalmente no dia 9 de agosto de 1969 por integrantes da Família Manson, liderada por Charles Manson, num dos mais famosos e bárbaros crimes da história forense dos Estados Unidos.[6]

Condenação nos Estados Unidos

Polański foi condenado nos Estados Unidos, por relação sexual ilícita com Samantha Geimer, em 1977, tendo a adolescente somente 13 anos de idade, na altura em que ocorreram os factos. O próprio declarou-se culpado, pelo que foi preso, na situação: “em avaliação” durante três meses, mas onde, efetivamente, só esteve 47 dias, tendo saído em liberdade sob fiança.

Em 1978, o juiz que presidia à causa após uma reunião, com os advogados de Polański, deu a entender que iria ordenar de novo a sua prisão, Polański após tomar conhecimento da decisão, apanhou um avião para a Europa e desde então encontra-se fugido à justiça norte-americana.[7]

Em 26 de setembro de 2009, à chegada do aeroporto de Zurique, foi preso, a pedido das autoridades americanas, pela polícia suíça, Polański deslocava-se para receber o Golden Icon Award, do Festival de Cinema de Zurique. A Suíça, no entanto, recusou extraditar o realizador, alegando falta de provas conclusivas, mas o caso contra o realizador mantém-se em aberto, pelo que não pode entrar em território norte-americano, sob pena de ser detido.[8]

Em outubro de 2013, Samantha Geimer afirmou, durante a apresentação do seu livro de memórias, “The Girl: A Life in the Shadow of Roman Polanski” (“A rapariga: Uma vida na sombra de Roman Polanski”),em Paris, que há “muito tempo” perdoou o cineasta.[7]

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