Laboratórios de Desenvolvimento de Projetos


labANCINE credencia empresas para realização de laboratórios de desenvolvimento de projetos em ficção e animação

Empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos podem se inscrever no Edital de Credenciamento da ANCINE

O Edital de Credenciamento nº 03/2014 da ANCINE, para seleção de empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos, teve primeira demanda das empresas selecionadas já apresentada, com o resultado do PRODAV 04/2013 (http://ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/programa-brasil-de-todas-telas-investe-r-41-milh-es-em-desenvolvimento-de-pro), no último dia 18 de novembro. Essa primeira demanda implica a realização de laboratórios para  projetos de longas-metragens e obras seriadas de ficção e animação. Cada laboratório terá duração máxima de 18 meses, com dinâmica de encontros presenciais e supervisão à distância.

08_Centro de formacao desenvolvimento e inovacao para aplicativos moveis_24Foram selecionados pelo PRODAV 04/2013 44 projetos de seis estados e do Distrito Federal para recebimento de recursos a serem aplicados em sua fase de desenvolvimento. O investimento da linha totaliza R$ 4,01 milhões. As empresas especializadas na prestação de serviço de desenvolvimento de projetos devem atender às condições propostas pelo edital para estar habilitadas a realizar laboratórios dirigidos a projetos contemplados nessa linha e nas demais chamadas públicas do Programa Brasil de Todas as Telas que apresentem essa demanda.

Dentre as condições para a inscrição no Edital de Credenciamento destacam-se a indicação da metodologia, da estruturação dos laboratórios e supervisão a distância, bem como da equipe técnica, e a comprovação da experiência pela empresa proponente e pelo profissional designado como gestor. Estas informações devem guardar coerência com a indicação do perfil de laboratório, dentre as opções ‘obra seriada de ficção’, ‘obra seriada de animação’, ‘obra seriada de documentário’, ‘obra não seriada de ficção’, ‘obra não seriada de animação’ e ‘formato de obra audiovisual’.

As propostas de credenciamento poderão ser encaminhadas durante todo o prazo de vigência do edital, que é de 24 meses, contatos a partir do dia 13 de novembro de 2014. Uma vez credenciadas, as empresas estarão aptas a participar de sorteio que definirá o prestador de serviço selecionado na modalidade específica de desenvolvimento, para a qual houver demanda. As empresas firmarão contrato com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) (http://www.brde.com.br/fsa/). O valor global do contrato será de R$ 400 mil para cada serviço, acrescidos de R$ 10 mil por cada projeto participante, incluídas todas as despesas necessárias para a sua execução integral.

Para mais informações, clique aqui e consulte o Edital de Credenciamento nº 03/2014 e seus anexos.

O homem de Nazaré


Orlando Senna*

Orlando-Senna.-Perfil-DiálogosNasci em família católica, estudei em colégio Marista, lembro da primeira comunhão e das aulas de Catecismo e da minha fé infantil, uma espécie de busca do êxtase. Um êxtase nada comparável à entrega corporal e espiritual da sensualíssima Santa Teresa da escultura famosa de Bernini ou dos livros da própria Santa Teresa, best-sellers desde a Idade Média. Apenas o embevecimento de uma criança depois de comer uma hóstia, diante do mistério que me assustava ao pensar que a hóstia era “o corpo de Cristo”. Os catequistas diziam para não morder a hóstia, pois ela se desfaria em sangue, “como já aconteceu várias vezes”. O mistério desapareceu, e com ele o susto, quando alguém me explicou o que era uma metáfora.

O homem de NazaréAdolescente, já no colégio Marista, busquei explicações sobre o símbolo mais utilizado pelas religiões cristãs: a cruz, um instrumento de tortura. E a efígie de Cristo mais difundida: sendo torturado na cruz. Esse insight surgiu em um grupo que discutia assuntos polêmicos, do qual fazia parte. Tínhamos entre 13 e 14 anos e fizemos o maior auê no colégio, uma campanha para que a Igreja Católica deixasse de usar a cruz como emblema de fé, esperança e caridade. Chegamos a rascunhar uma carta endereçada ao Papa, façanha que não foi avante porque o diretor do colégio, o Irmão Cirilo (que chamava todo mundo de “meu santo”), nos esclareceu que a cruz representa a dureza da vida, o peso de responsabilidades, dores e culpas que todos temos de carregar durante nossas existências. Era outra metáfora.

Essa minha convivência com Jesus, iniciada praticamente no berço, cresceu em duas direções: minha necessidade de conhecer sua história e minha relação espiritual com seu imenso legado. Historicamente, é a maior personalidade da humanidade, o ser humano que mais impressionou à espécie humana, que mudou a cultura global, inspirou religiões, guerras, expansões e implosões de impérios, colonizações e libertações. Estudei obviamente os quatro Evangelhos canônicos e fui em busca de outros relatos, das cartas e narrativas da época, dos ditos Evangelhos Apócrifos e das pesquisas e conclusões de historiadores.

Jesus sempre deu muito trabalho aos historiadores, que tiveram de garimpar “realidades” em uma teia de lendas, mitos e visões que, naturalmente, envolveram sua figura, espelhando sua seminal importância no imaginário da espécie. Para muitos pesquisadores, além de paupérrimo ele era analfabeto, como mais de 90% de seus contemporâneos judeus, um analfabeto (se é que era) capaz de sintetizar e ressignificar em uma curta frase os dez mandamentos do Judaismo e todos os mandamentos existentes: amar ao outro como a si mesmo. E revelar que não existe uma verdade universal e sim as verdades de cada um: “eu sou a verdade”.

Com relação ao ente místico, ao Deus feito homem, minha relação se desenvolveu de maneira mais complexa e só se estabilizou após estudar religiões orientais e sistemas filosóficos-religiosos africanos. A mim me pareceu, e continua parecendo, que o fato do Deus único e todo poderoso da Bíblia descer à Terra no corpo de uma pessoa teria sido um milagre como outro qualquer, um milagre normal, já que Ele tudo pode. Mas o contrário, um homem que, por sua inteligência, sensibilidade, coragem e bondade se transforma em Deus, se eleva aos olhos e corações de seus semelhantes como alguém superior a todos, com poderes além da imaginação, isso sim é um acontecimento extraordinário, um avanço enorme na evolução espiritual do ser humano. Ao Deus feito Homem das religiões, preferi o Homem que se faz Deus (crença que estendo a todos os grandes avatares, Buda entre eles, que não seriam “encarnações” de divindades e sim humanos com alto grau de conexão com o cosmo, com a totalidade do universo e da vida).

Chegar a esse Jesus Cristo me fez muito bem, me fez confiar na humanidade e em mim mesmo, me fez muito melhor do que eu era. Encontrei uma referência fundamental no jovem nazareno que mudou o mundo, diante das vicissitudes e das glórias da minha existência sempre me pergunto o que aquele cara diria, o que faria. Conversando sobre isso com um amigo, um teólogo, ele disse que a isso se chama Cristo Interior, “que todos deviam ter, religiosos ou não”. Se tenho vontade de rezar, o que acontece às vezes, me volto para dentro, me dirijo a ele, à suprema inteligência humana que ele alcançou. Por isso, nas festas natalinas, celebro seu aniversário com alegria e conforto, pensando que também é meu aniversário, do dia em que renasci ao descobrir que o menino da manjedoura era tão humano como eu, como todos, e portanto temos a possibilidade de tentarmos a divinização. 

Por Orlando Senna

* Link para outros textos de Orlando Senna no Blog Refletor    http://refletor.tal.tv/tag/orlando-senna

ANCine lança editais para Tvs Públicas e Comunitárias


ancine camANCINE anuncia o lançamento das cinco Chamadas Públicas regionais da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, do Programa Brasil de Todas as Telas

Investimentos fomentarão a produção de conteúdos, em atendimento à demanda de programação das TVs do Campo Público

A Agência Nacional do Cinema – ANCINE anuncia nesta quarta-feira, 17 de dezembro, o lançamento das cinco Chamadas Públicas regionais da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, do Programa Brasil de Todas as Telas. Para esta Linha, serão aportados recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) no montante de R$ 60 milhões, distribuídos pelas cinco regiões do País. Os investimentos fomentarão a produção de 103 obras audiovisuais brasileiras independentes, que corresponderão a 260 horas de programação.

A Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas tem como objetivo a regionalização da produção de conteúdos audiovisuais independentes para destinação inicial ao campo público de televisão (segmentos de TV Universitária, Comunitária e Educativa). A Linha será operada através de parceria entre a ANCINE, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), contando com o apoio da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais (ABEPEC).

A primeira licença das obras que compõem a programação será destinada para exibição inicial pelos canais do campo público de televisão (universitários, comunitários e educativos), de forma não onerosa, pelo período de 1 ano no Território Brasileiro, com exclusividade de seis meses. A EBC distribuirá a programação que tem estreia prevista para o segundo semestre de 2016.

Antes do lançamento das Chamadas Públicas da Linha foi realizado um estudo georreferenciado que relacionou grades de programação de 218 emissoras e canais de programação do campo público de televisão com vocações de produção regionais de 1.440 empresas produtoras independentes. Foi realizado ainda um Seminário de Programação, com a participação presencial e remota dessas tvs, que determinou a demanda de programação do campo público de televisão, para os públicos infantil, jovem e adulto, sob forma de 90 obras seriadas (ficção, animação e documentário) e 13 não seriadas (documentário) a serem financiadas pela nova Linha. Essa demanda de programação é agora enunciada pelas cinco Chamadas Públicas regionais.

A linha prevê o financiamento do valor integral da produção das obras na modalidade de investimento (aplicação de recursos com participação do FSA nos resultados comerciais dos projetos) a projetos de empresas produtoras brasileiras independentes registradas na ANCINE que tenham sede na região em que se inscrever, por no mínimo 02 (dois) anos, ou comprovada atuação de sócio nesta região, por igual período. Serão oferecidas oficinas para formatação de projetos em cada uma das regiões, com apoio de tvs educativas e culturais.

As Chamadas públicas regionais poderão ser encontradas a partir de sexta-feira, dia 19 de dezembro, no site fsa.ancine.gov.br.

Pacote do FSA reúne R$ 162 milhões

ancineAlém do resultado final da linha para obras autorais que investirá quase R$ 20 milhões em 17 projetos, o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, em coletiva no Rio, na manhã desta quarta-feira, dia 17, detalhou a divisão dos R$ 162 milhões que a agência disponibilizará em novas chamadas do Programa Brasil de Todas as Telas.

Grande novidade do pacote, a Linha de Produção de Conteúdos Destinados às TVs Públicas abarcará R$ 60 milhões na criação de obras audiovisuais de 33 TVs culturais e educativas e mais de cem canais comunitários e universitários. As demais cinco chamadas são relançamentos de linhas que funcionam sob regime de concurso público.

Com R$ 50 milhões reservados, as chamadas Prodecine 01 e 05 têm como foco a produção de longas-metragens, sendo a segunda para obras de linguagem inovadora. Já as chamadas Prodav 03, 04 e 05, com volume de investimento da ordem de R$ 47 milhões, têm como alvo o desenvolvimento de projetos, seja de longas ou obras seriadas, com núcleos criativos ou laboratórios de capacitação.

Fechando o pacote, Rangel ainda anunciou a chamada Prodav 07/2014, a nova denominação do Programa Ancine de Incentivo à Qualidade (PAQ), com reserva de R$ 5 milhões para filmes com bom desempenho em festivais. As inscrições para esta última chamada estarão abertas a partir do dia 5 de janeiro.

A falsa guerra do cinema brasileiro, um comentário


André Gatti*

André GattiVou comentar o texto distribuidor Bruno Wainer , que foi criador da Lumière e, é proprietário da Downtown, distribuidora exclusiva de filmes brasileiros. O texto intitulado A falsa guerra do cinema brasileiro, publicado na FSP, 26/09/2014.

Ele fala da velha guerra entre o cinema comercial e o não comercial. Ao abrir este texto com este chavão, sou obrigado a divagar um pouco, inclusive fazendo um certo retrospecto histórico dos fatos.

CinemaO cinema e o filme enquanto objeto apresentam radical caraterísticas, ele é arte e indústria, o filme é produto e artefato cultural/artístico. Isto tem que ser entendido em toda a sua extensão. Esta dualidade , entendo ser esta a riqueza do nosso objeto,

Se o cinema é arte e indústria, a partir desta dualidade temos que enxergar a questão, sob a lógica que são dois pilares quase que antagônicos entre si, mas, é dentro deste antagonismo que tem que se pensar uma política para o setor.

E, quando me refiro a isto quero dizer que uma entidade que nem a nossa precisa trabalhar no sentido de harmonizar estes interesses e campos de conflito. Acho que está é uma bandeira que podemos ter como proposta de legitimidade da entidade, fora disto, é jogar a coisa num gueto, onde o estado das coisas beira o insuportável. isto devido a uma esquizofrenia crônica que o conjunto da ópera nos trouxe, ou seja , ao aprestarmos, o CBC, como representante do cinema cultural….Qual CBC queremos?A esta questão que deveremos discutir no nosso congresso.

Na realidade, esta guerra que o BW comenta vem de longa data, nem sempre com as mesmas letras que estão hoje apresentadas. O primeiro organismo estatal do setor foi o INCE com a sua vocação de cinema educativo, ideologicamente amparado em um decreto é uma lei, mas , principalmente no Decreto 21.240/32, que reorganizava o Ministério da Educação e Saúde . Os13 artigos dedicados ao cinema nesta legislação foram uma conquista da ABPC, que realizou o verdadeiro primeiro Congresso do setor e que foi responsável em pautar o texto do Decreto, junto à burocracia estatal vargista que reorganizava o aparelho estatal brasileiro.

O decreto instituiu a Taxa cinematográfica para a educação popular, primeira taxa cinematográfica, fonte de recursos do Ince que seria organizado em 1936 e que seria definitivamente implantado somente em 1937. Portanto, o Ince é a base sólida do cinema cultural , por excelência, somos uma velha tradição do cinema brasileiro, onde o Estado foi o principal protagonista…Isto precisamos colocar na nossa pauta política . Esta questão não pode ser escamoteada da forma como estão sendo colocada.

O queixume sobre a distribuição apoiada na fala  do Klotzel , replicado pelo BW, parece-me totalmente desfocado, quando Klotzel chora a perda do protagonismo para as distribuidoras e BW  claramente aposta nisto. Acho que devemos sim criticar os excessos provocados inclusive pelo art. 3 da Lei do Audiovisual. E, que os distribuidores brasileiros conseguiram reverter com os recursos do Funcines e do Fsa…O que  me constrange no texto de BW é que um filme comercial tem que ser distribuído em pelo menos 100salas, o que me parece que não caracterizaria como comerciais filmes do tipo O som ao redor, Hj eu quero voltar sozinho , Cine Roliudi , Bezerra de Menezes , onde tem filmes inclusive distribuído pelo próprio…Rs

Depois, uma distribuidora que ano passado vendeu mais de 17 milhões de ingressos e mais de 50 na sua carreira comercial, em um sistema meritocrático deveria contar com outros esquemas de incentivo, do tipo adicional de renda…por exemplo….

Numa economia de mercado, a distribuição é um ponto chave que não pode absolutamente ser desprezado. Os realizadores têm que achar novas maneiras de distribuição dos seus filmes. O slogan para este período é: Exiba ou morra. Numa era exponencial para a produção, o filme não exibido é obra morta.

  • André Gatti é colaborador do ObservaCine

Conselho de Comunicação Social voltará a existir em 2015


Flávia Umpierre*

Órgão auxiliar do Congresso será fundamental nas discussões sobre a regulação da mídia

Marcado para ganhar força no próximo ano, o debate sobre a regulação da mídia no Congresso Nacional deverá ter como aliado o Conselho de Comunicação Social (CCS), atualmente desativado. Falta, no entanto, marcar a data para a próxima eleição dos representantes.
A última reunião do conselho aconteceu em agosto deste ano e marcou o fim do mandato da composição do biênio de 2012 a 2014. Entre idas e vindas, o conselho criado pela Constituição de 1988 só foi instalado em 2002. Depois, passou seis anos desativado.
O legado deixado pelos últimos conselheiros é considerado pífio diante dos grandes temas caros à comunicação social no País. Entre eles, o marco regulatório da mídia. “Só foi possível debater no conselho o que era consenso. Temas importantes e polêmicos foram ignorados”, afirma Bia Barbosa, representante do Coletivo Intervozes, entidade ligada à Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito a Comunicação com Participação Popular (Frentecom).
As poucas discussões que foram travadas no período trataram da obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo, do repúdio à violência sofrida por jornalistas no exercício da profissão, do leilão para concessão da banda de 4G e da flexibilização da Voz do Brasil.
O órgão auxiliar do Congresso tem por finalidade apreciar, de forma consultiva, matérias de relevância nacional em tramitação nas casas legislativas, antes de serem encaminhadas para votação em plenário. Os pareceres, estudos ou recomendações elaboradas pelo CCS podem ou não pesar na decisão dos parlamentares.
O conselho é formado por 13 integrantes, sendo três representantes de empresas de rádio, televisão e imprensa escrita; um engenheiro especialista na área de comunicação social; quatro representantes de categorias profissionais; e cinco representantes da sociedade civil. Os nomes são listados e enviados para aprovação dos parlamentares.
No entanto, um dos coordenadores da Frentecom, o deputado Emiliano José (PT-BA), na foto, tem pouca esperança de avanço com o Congresso, tanto na atual e como na próxima formação, para realmente discutir a regulação da mídia. “Essa Casa não discute o tema e reage muito mal quando é confrontada, confundindo de forma capciosa regulação da mídia com censura”, afirma.
Para o deputado, a solução está na mobilização da sociedade civil para, de forma cada vez mais ostensiva, pressionar os parlamentares a debater o monopólio a mídia.
Composição arbitrária – A representante do Intervozes questiona a forma como é feita a composição do Conselho de Comunicação Social. Segundo Bia Barbosa, não há critérios para a escolha da lista de cinco nomes de representantes da sociedade civil. “É um processo pouco transparente. Ninguém sabe como essa lista é formada”, afirma.
Para ela, caso não sejam feitas alterações nas escolhas desses representantes, o trabalho da próxima formação continuará ineficiente. “A tendência é que o conselho siga dando pouco espaço para temas de real interesse da sociedade civil”, evidencia.
A preocupação está em não repetir o que ocorreu nas duas primeiras gestões do conselho, quando empresários de veículos de comunicação ocuparam vagas destinadas a representantes da sociedade civil. “Além de não sabermos os critérios usados, o fato de não haver quem verdadeiramente nos represente faz com que não haja diálogo. E discutir o marco regulatório, por exemplo, interessa apenas a sociedade civil e não aos empresários”, explica.
Mais de 300 projetos relativos a temas caros à regulação da mídia tramitam, atualmente, no congresso. Entre eles, a questão do direito de resposta, a regulamentação de veículos de comunicação comunitária, a regionalização do conteúdo e o combate ao monopólio de meios de comunicação. “Se o próximo conselho tiver a consciência de que é uma agenda central, ele pode se pautar pelo conjunto de projetos que já existem. Não precisa esperar que um novo marco regulatório passe a tramitar para tratar do tema”, explica Bia Barbosa.
Antes do período eleitoral, a Frentecom se reuniu com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, para pedir agilidade no processo de formação do próximo conselho. O que não ocorreu. Caso a mesa diretora não paute, a escolha dos conselheiros deverá esperar o início do mandato de 2015 e a eleição dos novos presidentes das casas legislativas.
* da Agência PT de Notícias (5/11/14)