1ª Semana Cineclubista Capixaba no Cine Metrópolis


Lívia Corbellari*

Semana Cineclubista Capixaba faceO cineclubismo em Vitória começou na década de 80 dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Uma das grandes conquistas do movimento foi a construção do Cine Metrópolis, em 1992, que se tonou um importante instrumento de valorização da cultura cinematográfica e videográfica destinadas à comunidade universitária e externa. De volta às origens, o movimento cineclubista realiza a 1ª Semana Cineclubista Capixaba, que começou nesta segunda (12) e segue até sexta-feira (16) no Cine Metrópolis.

A Semana é resultado de um projeto aprovado pelo Edital de Criação e Manutenção da Atividade Cineclubista, da Secretaria de Cultura do Estado, e tem à frente a Organização dos Cineclubes Capixabas (Occa), em parceria com os cineclubes Central, Filmes da Ilha, Fotoclube da Ilha, Cine Via e Cineclube Colorado. “Ao invés de realizarmos sessões espaçadas, decidimos concentrar tudo em uma semana. Cada dia vai abordar uma temática diferente, a fim de estudar o movimento cineclubista capixaba e questões estruturantes da prática cineclubista”, explica Leonardo Almenara, presidente da Occa.

Os temas foram pensados com o objetivo de atualizar o movimento e entender o seu papel diante de questões contemporâneas, como as novas tecnologias, que revolucionaram as formas de produção, exibição e distribuição. “O movimento cineclubista no Espírito Santo viveu um grande momento na década de 80 e começo dos 90 com a Federação Capixaba Cineclubista. Houve um hiato durante os anos 2000, mas as atividades foram retomadas em 2011, com a criação da Occa. Acredito que vivemos um novo momento agora e queremos entender essa nova fase e construir projetos de representação e mobilização”, explica Leonardo.

A escolha do Cine Metrópolis para a realização do evento também foi simbólica. Segundo o presidente da Occa, o ambiente universitário foi fundamental para a articulação do movimento. Leonardo conta que o Cineclube Universitário, que também já foi chamado de Cineclube Claudio Bueno Rocha, começou em um pequeno teatro no Centro de Artes e só depois migrou para o cinema, hoje conhecido como Metrópolis. “Nossa intenção é atualizar esse espaço físico onde o movimento começou e torná-lo novamente um local de referência para o cineclubismo”.

Além de exibições de filmes durante toda a Semana Cineclubista Capixaba, também haverá debates sobre formação de público, agenciamento e mobilização de pessoas em tempos de mergulho das sociedades na internet, acesso a produções audiovisuais e distribuição de acervos, além do resgate da história do movimento.

Na segunda-feira (12), às 19h, haverá a sessão de estreia que vai resgatar a história do movimento cineclubista. Será exibido o filme O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. O debate será conduzido pelo cineasta Orlando Bonfim e por Claudino de Jesus, presidente da Federação Internacional de Cineclubes. Os dois vão tratar do movimento cineclubista na década de 1980, que ainda vivia os resquícios da ditadura militar e foi marcado pelas lutas por liberdades democráticas e autonomia de expressão.

Na terça-feira (13) haverá a Sessão Tecnologias Digitais, Agenciamento e Mobilização, com o filme Casagrande e as ruas do medo. Para o debate foram convidados representantes do  Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) e do Coletivo Região Jovem Formate (Viana). Na quarta-feira (14), terá a exibição de Pacific e a discussão será sobre a Organização de Acervo e Distribuição Audiovisual, com Juliana Gama, coordenadora de acervos da Occa;  Luiz Eduardo Neves, do site Panela Audiovisual; e Marcos Valério Guimarães, que participou da extinta Federação Capixaba de Cineclubes na época da distribuição de filmes em película.

Na quinta-feira (14) haverá a sessão de estreia do filme Plano B no Espírito Santo. O filme investiga o desaparecimento do filme Brasília – Contradições de uma Cidade Nova (1967), que revela as desigualdades sociais da cidade. O filme faz parte da Sessão Cineclubismo e Censura. O convidado Tião Xará irá discutir o cineclubismo como enfrentamento da censura e as lutas pela liberdade de expressão e em defesa do Cinema Brasileiro.

Para finalizar a semana, a Sessão Bota Fora e Deixa o Pau Quebrar vai exibir, também pela primeira vez, o documentário Afetos Cineclubistas. Nesse dia também haverá debate e apresentação do resultado das pesquisas. Os pesquisadores Fábio Gama, Leonardo Almenara e Wilberth Silva vão apresentar seus relatórios que abordam a história do movimento, acervo e distribuição e agenciamento e mobilização, respectivamente.

Serviço

A 1ª Semana Cineclubista Capixaba começa nesta segunda-feira (12), às 19h, no Cine Metrópolis.
O evento segue até a sexta-feira (16), sempre no mesmo horário.

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