Nosso futuro chinês


Orlando-Senna.-Perfil-DiálogosEm 2013 a China se tornou a maior potência comercial do mundo, superando os EUA. É o país mais populoso do planeta (mais de 1,3 bilhão de habitantes), com uma história e uma cultura que remontam a 38 séculos. No século passado aconteceu um fato importante nessa saga milenar, que foi a polêmica Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, de onde resultou a atual e socialista República Popular da China.

dragao-chinesCom esse currículo, a China sempre dedicou especial atenção à cultura e, na atualidade, às indústrias culturais. Segundo Sergio Capparelli, jornalista italiano radicado em Pequim, “a China está ansiosa para mostrar ao mundo que pode ser a primeira em termos globais em todos os campos econômicos possíveis, inclusive no da indústria cultural”. Em 2012 a produção dessa indústria aumentou 17% com relação ao ano anterior, respondendo por cerca de 4% do PIB. A meta é elevar a 6% nos próximos dois anos.

A indústria audiovisual é a menina dos olhos deles. Duas gigantescas instituições governamentais cuidam do assunto: a Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão (com nível de ministério) e o Ministério da Cultura. A TV é administrada pela Televisão Central da China (para se ter uma ideia, a sede é um prédio de 44 andares). O cinema está sob jurisdição da China Film Corporation, sempre em conflito com os EUA porque a China permite a importação anual de apenas 34 filmes estrangeiros.

Em 2018 será inaugurada, na costa leste chinesa, o maior centro mundial de produção audiovisual, empreendimento de seis bilhões de euros, uma parceria público privada. E por aí vai, o paisão asiático está se preparando para inundar o mundo não apenas com os produtos baratos (domésticos, digitais, cosméticos, brinquedos) que conhecemos, mas também com filmes, séries de TV, videogames, música, literatura e todos os possíveis produtos que possam mexer com nosso imaginário e com nosso comportamento. Com o nosso way of life, que eu ainda não sei como se diz em chinês, mas não demora muito e saberei. 

No seu avanço como potência planetária, a China está de olho grande na América Latina. Está de olho no mundo todo, é claro, mas com uma mirada mais amorosa em direção à América Latina, aqueles olhos puxados nos paquerando misteriosamente. Razões não faltam, a América Latina é uma região em ascensão econômica. A porta de entrada é o Brasil (tem a ver com os BRICs), o quarto principal destino de recursos chineses, atrás apenas de Austrália, EUA e Canadá. Nos últimos cinco anos a China aplicou no Brasil cerca de 30 bilhões de dólares. A modernidade humana já foi culturalmente influenciada pela Europa, depois pelos EUA, e deu no que deu. Como será o mundo sob influência majoritária chinesa? Como será o mundo para nós, ocidentais, os de olhos redondos, “olhos de diabo” como eles dizem. 

Por Orlando Senna

* Link para outros textos de Orlando Senna no Blog Refletor    http://refletor.tal.tv/tag/orlando-senna 

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