Portugal no Ceará


A 23ª edição do Cine Ceará muda de foco e visita a nova geração do cinema português em sua programação

A 23ª edição do Cine Ceará muda de foco e visita a nova geração do cinema português em sua programação
O Ceará é o ponto no território continental brasileiro mais próximo ao Velho Mundo. Nada mais justo do que ser, graças à localização geográfica, a ligação entre europeus e americanos. No que se refere a audiovisual, o solo alencarino já é anfitrião tradicional do Cine Ceará, o Festival Ibero-Americano de Cinema. Chegando à sua 23ª edição, de 7 a 14 de setembro, o festival apresenta novidades conceituais e espaciais. Deixando de lado as temáticas mais abrangentes que guiaram a programação dos anos anteriores do evento, a partir de 2013 o Cine Ceará se volta para as homenagens ao cinema contemporâneo de um país. “A gente resolveu dar uma guinada no foco do evento”, explica Wolney Oliveira, diretor do festival. “A ideia é que o Cine Ceará pegue esse sangue jovem que está aí em vários lugares do mundo e concentre homenageando a cinematografia contemporânea desse país a cada ano”.

Cine CearáA mudança, de acordo com Oliveira, também se deve à popularização gradual do fazer cinema, inclusive no Ceará, graças à evolução tecnológica e à presença de três cursos de realização audiovisual no Estado – dois dos quais são graduações.

O tributo que dá início a essa sequência é feito a Portugal, exibindo e discutindo filmes produzidos nos últimos 15 anos. Segundo o diretor, a escolha do país se justifica também pelo fato da cinematografia realizada em terras lusas ainda ser de difícil acesso aos cinemas comerciais brasileiros. A homenagem ao país ibérico se estende à atriz, cantora e cineasta portuguesa Maria de Medeiros, responsável pelo show de abertura do, cujos filmes serão exibidos em uma mostra especial. O cinema luso será tema do debate entre realizadores e público portugueses e brasileiros durante o Seminário Diálogos Visuais, na Casa Amarela Eusélio Oliveira.

Cine Ceará1Para Wolney, a maior vitória do festival é chegar à 23ª edição ininterrupta, principalmente por ser um evento em expansão e com dificuldades para financiamento. De acordo com ele, o orçamento de realização está na faixa de R$ 1,7 milhão.

Outra mudança é a sede do evento, que acontece pela primeira vez no Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura. As duas salas de cinema do equipamento serão reinauguradas em 3 de setembro; a programação do festival começa a ocupá-las a partir do dia 7 e segue até 14 de setembro. De acordo com o presidente-diretor do Dragão do Mar, Paulo Linhares, a realização marca o retorno de uma parceria e faz parte do projeto de trazer os grandes eventos do Estado para o CCDM.

Oficinas, seminários e mostras alternativas e sociais serão realizados simultaneamente na Casa Amarela Eusélio Oliveira da Universidade Federal do Ceará (UFC), no Teatro Celina Queiroz da Universidade de Fortaleza (Unifor), na Caixa Cultural, na Vila das Artes e no Mercado dos Pinhões. Todas as atividades são gratuitas.

Mostras competitivas

Cine Ceará2Oito produções foram selecionadas para concorrer ao Troféu Mucuripe, durante a Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem. Destas, sete são completamente inéditas no Brasil. Os indicados são os brasileiros “Se Deus Vier Que Venha Armado”, de Luis Dantas, “Olho Nu”, de Joel Pizzini, e “Solidões”, de Oswaldo Montenegro; o espanhol “Emak Bakia”, de Oskar Alegria; o uruguaio-português “Rincón de Darwin”, de Diego Fernández Pujol; o mexicano “El Paciente Interno”, de Alejandro Solar Luna; o cubano “La Película de Ana”, de Daniel Diaz Torres e o argentino “Mercedes Sosa, la voz de Latinoamérica”, de Rodrigo H. Vila. As categorias da disputa são melhor filme, direção, fotografia, edição, roteiro, som, trilha sonora original, direção de arte, ator, atriz e prêmio da crítica. O prêmio ao vencedor é de dez mil dólares.

A Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens, por outro lado, premiará o vencedor com R$ 15 mil, através de financiamento do Canal Brasil. As categorias analisadas serão melhor filme, direção, roteiro, produção cearense e prêmio da crítica. Doze filmes concorrem: os pernambucanos “Au Revoir”, de Milena Times, e “Quinha”, de Caroline Oliveira; os cearenses “Mauro em Caiena”, de Leonardo Mouramateus e “O Melhor Amigo”, de Allan Deberton; o baiano “Jessy”, de Paula Lice, Rodrigo Luna e Ronei Jorge; os paulistas “O Pai do Gol”, de Luiz Ferraz, “O Pacote”, de Rafael Aidar, e “Pintas”, de Marcus Vinicius Vasconcelos; o carioca “Em Cartaz”, de Fernanda Teixeira; o gaúcho “ED”, de Gabriel Garcia; o alagoano “O Que Lembro, Tenho”, de Rafael Barbosa, e o mineiro “Sanã”, de Marcos Pimentel. Para Wolney, a presença forte dos candidatos nordestinos reflete o crescimento da produção da região. Segundo ele, 40% dos longas produzidos no Brasil são de PE, CE e BA. A Mostra Olhar do Ceará, como o nome explicita, é composta apenas por produções locais. Ao todo, 23 curtas, dentre documentários e ficções, foram selecionados para competir pelo prêmio de R$ 5 mil.

Serviço

23º Cine Ceará.

De 7 a 14 de setembro, no Centro Cultural Dragão do Mar.
Fortaleza, CE.

Programação completa está no site http://www.cineceara.com/

Saiba +

Uma trajetória grandiosa

EusélioEm 1991 o cineasta Eusélio Oliveira e o diretor, produtor e roteirista Francis Vale lançaram o Festival Vídeo Mostra Fortaleza, realizado na Casa Amarela Eusélio Oliveira, equipamento vinculado à UFC. À época, talvez não imaginassem que o modesto evento transformar-se-ia em um dos maiores do tipo no País, o Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, realizado anualmente.

Rebatizado Cine Ceará em 1995, passou a ser fomentado pelo governo estadual, via Secretaria da Cultura. Da Casa Amarela, o evento migrou para o Cine São Luiz, no Centro, cujo prédio é tombado.

Ao longo de sua trajetória, o Cine Ceará passou a ser vitrine da produção cearense fomentada por então novos espaços de formação (como a Casa Amarela e o Instituto Dragão do Mar), tornando-se, ele mesmo, peça fundamental da equação que alavancou a cinematografia local. Em 2006, seguindo uma tendência natural, adotou caráter internacional, abrindo espaço em sua mostra competitiva para filmes da América Latina, Espanha e Portugal.

Com o fechamento e o futuro incerto do Cine São Luiz, em 2010 (mesmo após comprado pelo Governo do Estado), o festival transferiu-se para o Theatro José de Alencar, que sediou duas edições.

Neste ano, o Cine Ceará ganha novamente outra casa, as salas de cinema do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, cuja reforma deve ser finalizada neste mês. Em edições anteriores, o equipamento já recebeu parte da programação. Além da mostra de longas, o evento inclui mostra competitiva de curtas nacionais e um conjunto de mostras paralelas, além de encontros de realizadores, palestras, seminários e lançamentos.

O acesso ao Cine Ceará é gratuito, condição fundamental para que funcione também como espaço de formação de plateia. O credenciamento é feito em troca de alimentos.

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