Cláudio Assis critica edital de BO da SAv, Leopoldo Nunes rebate


Claudio AssisContemplado no mês passado com o edital de apoio a filmes de baixo orçamento (B.O.) do Ministério da Cultura (MinC), o cineasta pernambucano Cláudio Assis vai abrir mão da verba que utilizaria para rodar seu novo longa-metragem, “Big Jato”, baseado em livro homônimo de Xico Sá. Pelas regras do fomento, que concede até R$ 1,2 milhão por projeto, os cineastas selecionados só podem somar mais R$ 300 mil ao montante concedido, para poderem recebê-lo na íntegra, totalizando no máximo R$ 1,5 milhão de recursos públicos.

Mas o diretor de “Amarelo manga” (2002) tem outros R$ 467 mil a receber do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco. Para poder utilizar os dois recursos, R$ 167 mil teriam que ser abatidos do total oferecido pelo MinC, fazendo valer as diretrizes do concurso. Mas Assis enxerga essa subtração como arbitrariedade.

— Quando o edital de B.O. surgiu, ele representava a ideia de que filmes de qualidade pudessem ser feitos com pouco dinheiro. Mas continuar preso a esse conceito é um retrocesso. Eu não posso agregar valores de diferentes fontes. Eu tenho que trabalhar com esmola. Esmola eu não quero. Adiei “Big Jato”, que filmaria em novembro, e vou recomeçar do zero. A política de cultura da Marta (Suplicy) é o que há de mais retrógrado — reclama Assis.

Secretário do Audiovisual do MinC, Leopoldo Nunes rebate:

Leopoldo Nunes— O edital é transparente: as regras estavam lá. E o Cláudio assinou sabendo delas. Se agora, por interesses pessoais, ele não concorda mais, ele pode devolver o dinheiro, se quiser. Há um suplente para recebê-lo.

Lançado em dezembro de 2011 e consolidado em julho de 2012, quando dez ganhadores (Assis entre eles) foram anunciados, o referido edital teve seu resultado anulado e seu processo de seleção retomado em fevereiro deste ano, sob protestos da classe cinematográfica. Em fevereiro, o MinC anunciou que “falhas processuais inviabilizariam o repasse de recursos”, referindo-se a uma cláusula de regionalidade. A norma estabelecia que cada região do país teria no máximo dois projetos aprovados. O Nordeste, no entanto, teve três, e o Sul, um. Refeita a seleção, “Big Jato” e outros nove projetos foram contemplados —entre eles, o também pernambucano “Valeu boi!”, de Gabriel Mascaro, e o carioca “A estrada”, de André Moraes. Outras produtoras contempladas alegam dificuldades frente às normas do edital.

— Tenho gente interessada em investir no projeto “A estrada”, podendo chegar a até R$ 600 mil de apoio, mas eu não posso aceitar, pois a regra do edital proíbe — diz o produtor Leonardo Edde, da Urca Filmes. — Se está escrito no edital, não podemos mudar. Mas podemos pleitear mudanças para o próximo.

“Big Jato”, que teria Irandhir Santos e Matheus Nachtergaele, fica suspenso.

— No cinema, baixo orçamento não pode ser miséria — diz Assis.

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